Deficiências das redes impedem crescimento do VoD no Brasil







Apesar da banda larga instável, serviços de video-on-demand continuam mostrando potencial de crescimento.

Pirataria, falta de hábito no pagamento online via cartão de crédito, baixa oferta de conteúdos dublados... todos esses fatores são apontados como obstáculos à expansão mais rápida no Brasil dos serviços de VoD (video-on-demand). Mas nenhum deles prejudica mais as empresas do setor do que a lentidão das conexões de banda larga.

Este pode ser um resumo da situação atual do setor, que começou a atrair mais usuários no ano passado. A entrada da americana Netflix, maior prestadora desse tipo de serviço no mundo, está ajudando a atrair mais pessoas para o hábito de comprar ou alugar filmes e séries de televisão pela internet. Mas a empresa ainda está longe de obter aqui o mesmo sucesso alcançado no mercado americano.

"Estamos rapidamente aprendendo o que funciona melhor na América Latina", diz Joris Evers, diretor de Comunicação da Netflix. "O número de horas assistidas mais do que dobrou desde que o serviço foi lançado, em setembro passado, e quase todo o conteúdo agora está disponível em seu idioma oficial, com legendas, e dublado." Segundo o executivo, uma das dificuldades da empresa no Brasil foi a falta de hábito do consumidor brasileiro em fazer pagamentos online com cartão de crédito, algo que nos EUA é muito comum.

Embora estejam no mercado há mais tempo, as principais concorrentes da Netflix no Brasil enfrentam problemas parecidos. O maior deles, reconhecem, é a estrutura deficiente das redes de banda larga. “O mercado não está pronto para oferecer streamings de vídeo em alta definição. Por isso, trabalhamos com mídias físicas e conteúdos digitais", explica Daniel Topel, diretor da NetMovies, que embora continue trabalhando com os formatos eletrônicos de distribuição ainda vê a maior parte do seu faturamento se originar da venda e locação de mídias físicas (discos DVD e Blu-ray).

Poucos duvidam, no entanto, que o VoD tem alto potencial de crescimento, pela facilidade que traz ao consumidor. De olho nessa tendência, as operadoras de TV por assinatura começaram a oferecer essa modalidade de serviço, aproveitando sua base de assinantes. Uma delas foi a Net, que se diz satisfeita com os resultados do Now, sua plataforma VoD, onde o usuário pode comprar, alugar ou até assistir de graça filmes, séries infantis e programas gerados pelos canais Globosat. “A diferença para as outras operadoras é que estamos negociando contratos para disponibilizar conteúdos exclusivos”, diz João Padilha, gerente de engenharia do Now.

Enquanto a Sky preferiu lançar seus conteúdos apenas na plataforma web, através do serviço Sky Online, a GVT começa a trabalhar três opções de VoD: conteúdo grátis, aluguel por título ou pacote mensal. "A oferta gratuita costuma ser a porta de entrada para o mundo da locação virtual”, diz Dante Compagno, diretor da operadora, que aposta num formato híbrido (satélite + rede IP) para conquistar mais assinantes.

Fonte: Home Theater & Casa Digital

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