Recessão chega ao setor de tecnologia
Nesta 4a. feira, a Panasonic anunciou que, diante do prejuízo de US$ 707,2 milhões no último trimestre de 2008, precisará demitir 15 mil funcionários. No final de 2007, a empresa declarava lucro de US$ 1,29 bilhão. Com vendas 20% mais baixas no ano passado, a empresa é mais uma do setor de tecnologia que se diz afetada pela recessão mundial, considerada a pior dos últimos 70 anos.

O volume de perdas da Panasonic assusta os analistas, mas na verdade quase todas as concorrentes estão em situação parecida. Nas últimas semanas, o noticiário internacional vem revelando os balanços do setor de tecnologia, com um quadro jamais visto até hoje. Grandes corporações – como Sony, Samsung, NEC, Microsoft, Intel e Motorola – estão tendo que fazer cortes de investimento e, em muitos casos, demitindo funcionários. Segundo a empresa especializada em pesquisas Channel Insider, de setembro a janeiro 205 mil pessoas já haviam perdido o emprego no setor.
Ao anunciar a previsão de prejuízo de US$ 4,3 bilhões no ano fiscal que se encerra em março, a Panasonic – que recentemente adquiriu o controle da Sanyo – informou também que está fechando 27 fábricas ao redor do mundo (13 delas no Japão).
Outro conglomerado seriamente atingido pela crise é a NEC, segundo maior fabricante de produtos eletrônicos do Japão. O grupo irá demitir 20 mil empregados (9 mil no Japão), fechar fábricas e abandonar alguns setores onde atua, devido ao prejuízo acumulado de US$ 3,2 bilhões nos últimos doze meses. Já a Sony anunciou lucro no quarto trimestre de 2008, mas com queda de 95% na comparação com 2007. As vendas caíram 25%, chegando a US$ 24 bilhões. Segundo a empresa, câmeras CyberShot, filmadoras e PCs foram os itens que mais caíram. Até mesmo os videogames PlayStation registraram queda: 32%.
Os cortes atingem também corporações como Toshiba, cujo prejuízo deve ser o maior de sua história e que pretende reduzir em US$ 3,3 bilhões seus investimentos este ano e demitir pelo menos 4 mil trabalhadores; e Hitachi, maior fabricante de eletrônicos do Japão, que saltou de um lucro de US$ 138 milhões em 2007 para um prejuízo de US$ 4,1 bi em 2008. Até o final de seu ano fiscal, em março, o grupo acumulará o maior volume de perdas de toda a história da indústria japonesa: US$ 7,7 bilhões (o recorde atual é da fabricante de automóveis Nissan, que em 2000 perdeu US$ 6,8 bi). Os cortes na Hitachi deverão ser de 7 mil empregados.
Também as empresas coreanas de tecnologia vêm sentindo os efeitos da recessão mundial. A Samsung teve prejuízo pela primeira vez em sua história no final do ano: US$ 16 milhões, contra um lucro declarado de US$ 1,5 bilhão no mesmo período de 2007. E a LG, mesmo conseguindo aumentar suas vendas mundiais em 2008, registrou perdas de US$ 487 milhões, contra lucro de US$ 6 bi um ano antes.
Mas as perdas das empresas asiáticas ainda podem ser menores que no Vale do Silício, onde se concentram as grandes corporações americanas de tecnologia. A Microsoft anunciou 5 mil demissões, o maior corte de sua história (a filial brasileira informou que seus negócios não serão afetados). A Motorola informou aos acionistas perdas de US$ 840 milhões e um corte de aproximadamente 3 mil funcionários. E a Intel – cujo CEO, Craig Barrett, acaba de ser afastado – registrou queda de 23% em suas receitas e um total de 6 mil demissões nas próximas semanas.
Fontes: Valor Online, The Wall Street Journal, Reuters, G1, IDG News Service e Business Week
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