TV Digital promete interatividade este ano

Com ou sem unanimidade por parte de fabricantes, emissoras e governo, a TV interativa deve ser introduzida no Brasil este ano. A promessa é do presidente do SBTVD (Fórum Brasileiro da TV Digital), Frederico Nogueira, que é também diretor da Rede Bandeirantes. Em entrevista na semana passada, ele garantiu que o software Ginga, criado para permitir a interatividade na TV Digital brasileira, será aprovado até abril, “para o bem ou para o mal”.

   O Ginga, uma criação de técnicos da Universidade da Paraíba, faz parte das especificações do ISDB-BT, o sistema brasileiro de TV Digital adaptado do padrão japonês. Mas a falta de regulamentação sobre o pagamento de royalties vem retardando sua aprovação, a ponto de vários fabricantes terem lançados TVs e conversores (set-top box) sem compatibilidade com esse software. Assim, mesmo que o Ginga venha a ser introduzido no mercado, quem já comprou um aparelho para TV Digital (TV ou conversor) precisará trocá-lo para poder ter acesso à interatividade.

  Segundo Nogueira, oferecer interatividade ao telespectador brasileiro em 2009 é uma das prioridades do Fórum SBTVD. O grupo técnico que estuda o assunto tem prazo para apresentar suas conclusões até 23 de março. Além do Ginga, há a possibilidade de se optar por um software da empresa americana Sun Microsystems, compatível com o sistema operacional Java.

      O problema é que há divergências entre os integrantes do Fórum, que inclui representantes das emissoras, dos fabricantes e do governo. Por isso, é pouco provável que haja uma decisão unânime. Nogueira assegura que o Fórum não levará em conta apenas os aspectos técnicos, nem decidirá só pelo custo, o que poderia comprometer a qualidade do produto.

      Enquanto isso não se decide, os ministérios do Desenvolvimento e das Comunicações estudam alterações no Processo Produtivo Básico (PPB) dos fabricantes de TVs e conversores de TV Digital. O objetivo seria criar um calendário em que cada empresa aumente o número de TVs com sintonizadores integrados. "Este será o ano da grande expansão”, diz Roberto Pinto Martins, secretário do Ministério das Comunicações. “Os conversores já atingiram um preço competitivo e a adoção se dará em ritmo acelerado. Este ano o sinal digital deverá chegar a todas as capitais e às maiores cidades".

    O ministério prevê que até 2013 todas as localidades atendidas atualmente pelas transmissões analógicas terão sinal digital. O plano para o total desligamento das transmissões analógicas permanece para 2016.

    Mas não é o que está acontecendo, por exemplo, nos Estados Unidos, onde o novo presidente, Barack Obama, induziu o Congresso a adiar o final das transmissões analógicas, inicialmente marcado para esta 3a. feira (17/02).

O prazo foi estendido até 12 de junho, para dar tempo, segundo membros do governo americano, às famílias que ainda não têm equipamento digital se prepararem para a mudança – a partir daquela data, quem ainda tiver TVs analógicos não conseguirá mais captar nenhum sinal.

     O adiamento foi criticado por representantes da indústria, alegando que causará mais confusão na cabeça dos usuários. Tanto é verdade que cerca de 500 emissoras de todo o País decidiram cumprir a data original e desligaram seus transmissores analógicos nesta terça-feira, passando a transmitir somente sinal digital.

Textos relacionados:

Governo americano vai bancar transição para DTV
Área de abrangência da Net em HD é ampliada
Video on demand chega a São Paulo em junho
TV Digital: capixabas recebem o sinal
Ginga, por bem ou por mal