Fabricantes mudam estratégias contra a recessão

Lançamento de novos produtos, com maior apelo visual, parcerias com redes de varejo e revisão de orçamentos são as armas com que a indústria eletrônica mundial enfrenta a recessão. Abatido por quedas de vendas nunca vistas antes, o setor já assume as perdas dos últimos dois trimestres e passa a pensar agora no longo prazo.

     Poucos executivos se dispõem a comentar a crise econômica e suas possíveis saídas. As informações circulam nos bastidores de eventos como o Mobile World Congress, que está sendo realizado esta semana em Barcelona. Ali, os principais fabricantes de celulares estão apresentando novidades que têm o poder de atrair a mídia e, quem sabe, o consumidor. É o caso da Samsung, que exibiu no evento seu primeiro smartphone movido a energia solar.

     Mas, em meio às festas de lançamento, o assunto crise é inevitável. A LG, por exemplo, anunciou que deverá cortar os seus custos operacionais em aproximadamente 30% este ano, com uma perspectiva de queda de mais de 20% nas suas vendas mundiais. “A atual situação é muito difícil para qualquer empresa global”, afirmou Nam Young, executivo da LG. “Mas não haverá neste momento corte de empregos, ainda que tenhamos que encerrar algumas operações e otimizar plantas ao redor do mundo”. Segundo Young, o grupo tem 82 mil funcionários ao redor do mundo, e 60% de sua produção está fora da Coréia.

  Mais complicada é a situação da japonesa Pioneer, uma das marcas mais tradicionais do setor eletrônico. Embora tenha lançado em 2008 a linha Kuro de displays de plasma, que conquistou vários prêmios e é apontada como a melhor do mundo, a empresa está sendo obrigada a suspender a fabricação de TVs, devido à queda nas vendas. Segundo o jornal japonês Nikkei Shinbum, nem mesmo a associação com a Panasonic está ajudando. A partir deste ano, a Pioneer irá comercializar somente TVs feitos por outros fabricantes, em regime de OEM, na tentativa de amenizar suas perdas, calculadas em aproximadamente US$ 1 bilhão.

  A indústria japonesa é a que mais está sofrendo, graças à enorme dependência do país em relação a suas exportações. O ministro da Economia, Kaoru Yosano, afirmou que a crise é a mais grave desde a 2a. Guerra Mundial. O produto interno bruto japonês caiu nada menos do que 12,7% no quarto trimestre de 2008 e deve ter queda de 3,3% neste trimestre (clique aqui para ver o hot site “Japão High-tech”).

FONTES: CNet, MSNBC, Reuters, Tomsguide e IDG

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