Crise atinge outras gigantes japonesas
Mais duas gigantes da indústria eletrônica japonesa anunciaram na semana passada como estão sentindo os efeitos da crise internacional. Enquanto a Toshiba confirmava a demissão de 3.900 funcionários temporários até março de 2010 (no início do ano, a empresa já havia anunciado o fim de 4.500 postos de trabalho), a Sharp divulgou seu balanço do último ano fiscal, o pior de sua História.
Para a Toshiba, o prejuízo foi maior que o estimado no último orçamento, atingindo US$ 3,52 bilhões (a previsão era de US$ 2,81 bilhões). No caso da Sharp, o resultado negativo somou US$ 2 bilhões no ano fiscal encerrado em 31 de março, contra US$ 1,4 bilhão de lucro em 2007. Diante disso, a empresa anunciou um corte de 1.900 trabalhadores e um plano de contenção de despesas da ordem de US$ 2 bilhões até início de 2010.
A crise atingiu em cheio a economia japonesa, não só devido à queda no mercado interno, mas principalmente com as vendas menores para os mercados chinês e americano. Nos últimos meses, gigantes como Sony, Panasonic, Hitachi e Mitsubishi haviam anunciado números semelhantes. Agora, a lista se amplia. A Sony Ericsson está cortando 2.000 vagas na fabricação de celulares no Japão, após um prejuízo líquido de US$ 383 milhões apenas no primeiro trimestre do ano.
Já o caso da Sharp ganhou maior repercussão devido a uma entrevista de seu presidente, Mikio Katayama, que assumiu os erros da companhia nos últimos anos. Embora o executivo não revelasse quais foram esses erros, a imprensa japonesa comentou que um deles teria sido a compra de 14% das ações da Pioneer, negócio que teria gerado mal-estar entre os acionistas. Há cerca de um mês, a Pioneer confirmou que está abandonando a fabricação de TVs, após perdas que somaram US$ 800 milhões em 2008. Uma reunião marcada para junho deverá decidir o futuro da empresa: comenta-se que a Honda Motors, segunda maior montadora de automóveis do Japão, estaria negociando a compra da Pioneer.
De qualquer forma, o resultado em 2008 foi terrível para a Sharp, que desde que se tornou uma empresa aberta, em 1956, jamais havia registrado prejuízo.
Fontes: Reuters, Twice e Tech-On
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