Pão de Açúcar compra Ponto Frio para ser líder    

O Grupo Pão de Açúcar anunciou na semana passada a aquisição da Globex Utilidades, holding que controla a rede Ponto Frio, segunda maior do País no setor de eletroeletrônicos. O negócio foi fechado por R$ 824 milhões, cerca de metade do valor originalmente pedido pela maior acionista da Globex, Lily Safra, que há tempos vinha tendo problemas de gestão e tentava vender a empresa.

Segundo o presidente do Conselho de Administração do Pão de Açúcar, Abílio Diniz, a estratégia é aproveitar a sinergia entre as duas redes para buscar a liderança no segmento de eletrônicos. O grupo já conta com a rede Extra Eletro, com cerca de 80 lojas, e agora incorpora as 455 do Ponto Frio, espalhadas por seis estados. Além disso, adquiriu também a financeira Investcred e a loja virtual pontofrio.com.br, com a intenção de se fortalecer no comércio eletrônico.

Com a compra, o Pão de Açúcar torna-se a maior rede varejista do País, superando a francesa Carrefour. Segundo Diniz, a decisão de ampliar a participação em produtos não alimentícios foi tomada cinco anos atrás, tendo em vista que os eletrônicos são indutores de vendas dos hipermercados. “Além disso, com a volta do crédito e o deslanche da construção civil, o mercado de móveis e eletrodomésticos tem perspectivas favoráveis”.

O empresário estima que o segmento de eletroeletrônicos gire R$ 68 bilhões por ano no Brasil, e pode chegar a R$ 134 bilhões até 2013. Desse total, a nova rede quer pelo menos cerca de 10% (a líder Bahia, com 16%, fatura atualmente R$ 14 bilhões ao ano).

Para Eugenio Foganholo, da consultoria Mixxer, a estratégia do Pão de Açúcar é acertada. "Ao voltar à área de eletromóveis, que tem margens operacionais mais baixas, o grupo ganha a oportunidade de crescer no crédito e diversificar sua receita".

Com o negócio, a receita proveniente de eletroeletrônicos no Pão de Açúcar passará de 10% para 26% do total. O grupo também terá benefício fiscal de R$ 100 milhões decorrente da compra. "Essa aquisição irá contrabalançar a liderança muito destacada da Casas Bahia no setor", diz Juraci Parente, da FGV. "A existência de dois competidores fortes tende a estimular a competição e melhores preços".

Fontes: Valor Econômico, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo

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